De Itaquera ao registro de marcas: como André de Almeida transformou um problema que via nos clientes em negócio próprio

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Administrador de carreira na contabilidade, ele percebeu empresas perdendo marcas por falta de registro, estudou o tema, registrou a própria marca e replicou o modelo até virar operação. Em 2026, deixou a gerência para tocar a Estartar em tempo integral.

1. A periferia como ponto de partida

André de Almeida tem 30 anos e uma trajetória que começou longe dos holofotes do empreendedorismo. Natural de Itaquera, na zona leste de São Paulo, ele construiu a carreira de baixo para cima: administrador com registro ativo no Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP nº 6-008796), entrou no mercado de trabalho ainda jovem e foi se especializando em gestão dentro do setor contábil.

Em 2015, ingressou na Vexsea Contabilidade, onde permaneceu por onze anos e chegou ao cargo de gerente aos 27. Foi nesse período, lidando de perto com a rotina de empresas de todos os portes, que ele atuou enquanto a base de clientes da contabilidade crescia de 200 para 750. O contato diário com pequenos negócios também o colocou diante de um problema que se repetia.

2. O problema que ninguém via como problema

Ao longo dos anos, André observou um padrão silencioso: empresas que investiam tempo e dinheiro construindo um nome no mercado e, de repente, descobriam que não eram donas dele. Por falta de registro no INPI, perdiam a própria marca, às vezes depois de anos de operação. Era um risco invisível para quem estava começando, e raramente tratado como prioridade.

Em 2019, ele viveu sua primeira experiência empreendedora com a startup Ué, Achei. O negócio não sobreviveu à pandemia, encerrando as atividades por falta de caixa. A frustração, porém, virou combustível. Em vez de abandonar o empreendedorismo, André decidiu se aprofundar justamente no tema que vinha observando: a proteção de marcas.

3. Aprender fazendo: do próprio registro ao modelo replicável

André estudou propriedade intelectual, buscou certificação e conduziu pessoalmente o registro de uma marca, do depósito até a concessão. Com o processo dominado na prática, passou a replicar o modelo: primeiro para amigos e contatos, depois para empreendedores que chegavam por indicação. O que começou como um serviço pontual foi ganhando corpo.

Sem largar o emprego, ele construiu uma operação sólida em paralelo ao cargo de gerente. A Estartar nasceu dessa base. Hoje sediada na Barra Funda, em São Paulo, a empresa já atendeu centenas de empreendedores, oferecendo um caminho que vai da consultoria inicial ao registro efetivo da marca junto ao INPI.

4. A virada: apostar tudo na Estartar

Em março de 2026, André tomou a decisão que vinha amadurecendo: deixou a gerência na contabilidade para se dedicar integralmente à Estartar, agora seu principal negócio. A meta para o ano é ambiciosa: triplicar a base de clientes e o faturamento, além de inaugurar a primeira filial da empresa em Caraguatatuba, no litoral norte paulista, onde também passou a viver.

O empreendedorismo, aliás, nunca foi atividade isolada para ele. André é sócio da Green BPO, ainda que sem atuação frequente no dia a dia, cofundador da Quadro Go e está desenvolvendo a Acena Aí, com lançamento previsto para 2026. As iniciativas seguem em fase de testes, mas reforçam um perfil de quem prefere construir a esperar.

5. A tese por trás do negócio

À frente da Estartar, André defende uma ideia que resume sua leitura de mercado: proteger a marca deixou de ser assunto exclusivo de grande corporação e virou estratégia essencial para o pequeno negócio. Para ele, o empreendedor que adia esse cuidado não está economizando, está se expondo a perder aquilo que construiu.

É uma convicção que nasceu da observação de quem viu o problema acontecer repetidamente, antes de decidir oferecer a solução. E que, agora, vira o eixo de uma empresa pensada para tornar a propriedade intelectual acessível a quem mais precisa dela e menos costuma priorizá-la.

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