Maternidade após os 40 dobra no Brasil e impulsiona busca por planejamento reprodutivo

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# Maternidade após os 40 dobra no Brasil e impulsiona busca por planejamento reprodutivo

O perfil da maternidade no Brasil atravessa uma transformação estrutural. O que antes era visto como exceção, hoje é estatística consolidada: ter filhos após os 40 anos deixou de ser um evento isolado para se tornar uma realidade crescente. Segundo dados do IBGE, o número de brasileiras que se tornaram mães nesta faixa etária praticamente dobrou nas últimas duas décadas, saltando de 2,1% dos nascimentos em 2003 para 4,3% em 2023.

Para Dra. Graziela Canheo, especialista em reprodução humana da La Vita Clinic, esse movimento já é palpável na prática clínica. “O adiamento da maternidade acompanha escolhas como a busca por estabilidade e mudanças nos projetos de vida, mas exige que a mulher esteja atenta ao tempo, que segue sendo um fator determinante do ponto de vista biológico”, explica a médica.

O fator biológico e a janela de fertilidade

A ciência é clara: o tempo permanece como o principal desafio. “A mulher já nasce com um estoque limitado de óvulos, que declina em quantidade e qualidade com o passar dos anos”, explica Dra. Graziela Canheo. Segundo a médica, a queda se acentua drasticamente a partir dos 35 anos, o que tem levado o planejamento reprodutivo para dentro das consultas de rotina.

Para quem planeja adiar, a avaliação da reserva ovariana é o primeiro passo. Exames hormonais (como o AMH) e a contagem de folículos via ultrassonografia permitem mapear o cenário atual. “Embora não possamos medir a qualidade do óvulo diretamente, a idade da paciente é, hoje, o nosso principal indicador clínico”, pontua Graziela.

Ciência como aliada: Do congelamento à genética

Se a biologia impõe limites, a ciência oferece alternativas. O congelamento de óvulos consolidou-se como a “reserva de emergência” de muitas mulheres.

“É um processo seguro que preserva o potencial reprodutivo. Um óvulo congelado aos 30 anos mantém essa idade biológica, mesmo que a mulher decida engravidar após os 40”, explica a ginecologista Dra. Paula Fettback, especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO. O procedimento, que dura cerca de 10 dias de estimulação hormonal seguidos por uma coleta sob sedação, utiliza a técnica de vitrificação para garantir a integridade das células.

Além do congelamento, outras ferramentas aumentam as taxas de sucesso na gravidez tardia:

  • Análise cromossômica embrionária: Detecta anomalias genéticas antes da implantação.
  • Tecnologia Time-lapse: Monitoramento contínuo do desenvolvimento do embrião.
  • Check-up pré-gestacional: Avaliação rigorosa de hipertensão e diabetes, riscos mais comuns após os 40.

Estilo de vida e consciência

Não é apenas sobre tecnologia e ciência. O estilo de vida atua como coadjuvante essencial. Tabagismo, estresse crônico e privação de sono são inimigos diretos da fertilidade. Por outro lado, a maturidade pode trazer vantagens que compensam o desafio biológico.

“A saúde da mãe e do bebê está diretamente relacionada a esses cuidados, e a escolha de profissionais capacitados faz toda a diferença para que esse momento de maior estabilidade emocional e financeira seja vivido com segurança”, reforça Paula Fettback.

Com a medicina avançando para oferecer mais previsibilidade, a decisão de quando ser mãe pode ser uma escolha mais consciente e planejada.

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